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Alergia ao leite e intolerâncias na primeira infância precisam de orientação médica para evitar cortes desnecessários na dieta


Manchas na pele, fezes com sangue, vômitos repetidos, diarreia ou irritabilidade intensa podem deixar famílias em alerta e, muitas vezes, levam a cortes de alimentos sem avaliação adequada. A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) orienta que alergias alimentares e intolerâncias são situações diferentes, com causas e cuidados distintos, e que a exclusão de grupos alimentares, especialmente do leite, precisa ser feita apenas quando houver indicação médica e acompanhamento, para evitar prejuízos no crescimento e na qualidade de vida da criança.

Um ponto central é entender a diferença entre alergia e intolerância. A intolerância alimentar costuma estar ligada à dificuldade de digestão de algum componente do alimento, como a lactose (o açúcar do leite), e pode causar desconforto abdominal, gases e diarreia sendo considerada bem mais rara em pediatria. Já a alergia à proteína do leite de vaca (APLV), bem mais comum, é uma reação do sistema imunológico às proteínas do leite e pode se apresentar de duas formas principais: a imediata (mais rápida), com sintomas logo após a ingestão, como urticária, inchaço, chiado e, em casos graves, anafilaxia, e a tardia (mais comum em bebês), que aparece horas depois, com sintomas que podem ser mais inespecíficos e predominantemente intestinais.

“Nas formas tardias, não existe um exame único que confirme o diagnóstico, por isso a avaliação clínica é determinante e precisa ser conduzida com orientação médica para evitar restrições prolongadas e desnecessárias”, afirma a assessora da Presidência da SPRS, gastroenterologista e endoscopista pediátrica, Cristina Helena Targa Ferreira.

A SPRS chama atenção para um risco frequente: retirar leite e derivados por conta própria, sem substituições adequadas. Em crianças pequenas, esse tipo de exclusão pode reduzir a oferta de nutrientes importantes para a fase de crescimento, como cálcio, proteínas e vitaminas, além de dificultar o planejamento das refeições no dia a dia. Quando há indicação de exclusão, ela deve ser individualizada, com plano alimentar e revisões periódicas, para garantir segurança e evitar déficits nutricionais.

Entre os sinais que merecem avaliação do pediatra e, em alguns casos, encaminhamento para especialista, estão sangue nas fezes de repetição, baixo ganho de peso, diarreia persistente, vômitos recorrentes, assaduras importantes associadas a diarreia, dermatite que não melhora com cuidados habituais e, principalmente, qualquer reação rápida após a ingestão de um alimento com sintomas de pele e respiratórios. Também é importante procurar orientação quando a família se vê levando a dieta para muitas restrições ao mesmo tempo, o que costuma aumentar o risco de desequilíbrios nutricionais e ansiedade em torno da alimentação.

O tema tem sido impulsionado por desinformação e relatos sem base científica nas redes sociais, o que aumenta a chance de confundir sintomas comuns da primeira infância com alergia alimentar. A orientação da SPRS é não iniciar fórmulas, dietas de exclusão ou “testes em casa” sem consulta, porque a condução varia conforme a gravidade e o tipo de reação, e o acompanhamento profissional é o que garante diagnóstico correto e segurança para a criança.

Para mais informações, a orientação é buscar o pediatra de referência da criança.
 

Redação: Marcelo Matusiak
PlayPress Assessoria de Imprensa
Foto: Freepik

 

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