O aumento expressivo das internações por vírus respiratórios colocou o Rio Grande do Sul em estado de emergência em saúde pública e acendeu um alerta especial para o atendimento pediátrico. Publicado na quinta-feira, 30/04, o Decreto nº 58.754 declara emergência em todo o território gaúcho por 120 dias para prevenção e enfrentamento da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com ênfase no cuidado às crianças. A medida ocorre em meio ao crescimento de 533,3% nas hospitalizações por influenza e de 102,7% nas internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave entre as semanas epidemiológicas 7 e 10 de 2026.
Diante do cenário, a Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) chama atenção para a importância da prevenção, da vacinação contra influenza e da identificação precoce dos sinais de gravidade. O decreto também aponta aumento de 376,9% nas hospitalizações por rinovírus, percentual que chega a 528,6% entre menores de 12 anos, além de maior circulação de diferentes vírus respiratórios no Estado.
O presidente da SPRS, Marcelo Pavese Porto, explica que as famílias precisam observar quando um quadro respiratório deixa de ter evolução leve.
“Como em qualquer doença, a prostração é um dado muito importante. Uma criança que não brinca, que não come e que, mesmo depois de baixar a temperatura, continua muito abatida, precisa ser avaliada. Febre alta, constante, que não baixa adequadamente, especialmente quando associada à prostração ou muita irritabilidade, também exige atenção. Outro ponto crítico é a dificuldade respiratória, quando a criança faz esforço para respirar, apresenta respiração ofegante, rápida ou com afundamento abaixo das costelas ou no pescoço, principalmente quando está sem febre. Nesses casos, o atendimento médico deve ser imediato”, afirma.
A preocupação com o público pediátrico ocorre porque crianças, especialmente as menores de um ano, apresentam maior vulnerabilidade para complicações respiratórias. As vias aéreas são mais estreitas, o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento e a convivência em creches, escolas e outros ambientes coletivos amplia as chances de transmissão de vírus respiratórios.
“As crianças são mais vulneráveis, especialmente abaixo de um ano, mas toda a infância merece atenção. Elas podem internar, necessitar de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e suporte respiratório, porque realmente podem evoluir para quadros graves. Por isso, a vacinação é essencial. A vacina não impede totalmente que a criança tenha influenza, mas reduz muito o risco de doença grave, evitando que o quadro evolua para complicações, necessidade de internação e maior risco à saúde da criança”, salienta o médico.
Como parte da resposta à emergência, o Governo do Estado informou a previsão de abertura de mais de 1,8 mil leitos na Operação Inverno Gaúcho com Saúde, incluindo 604 leitos estaduais e 1.277 leitos federais. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, a formalização do decreto é necessária para ampliar o apoio financeiro à rede hospitalar e solicitar ao Ministério da Saúde a habilitação de leitos de UTI adulto e pediátrica.
A SPRS orienta que todas as crianças a partir dos seis meses sejam vacinadas contra influenza. Na rede pública, a vacinação está prevista para crianças de seis meses a menores de seis anos e para outros grupos com condições específicas, mas a recomendação médica se estende também às crianças acima dessa faixa etária, especialmente diante da maior circulação viral.
“Toda criança acima dos seis meses de idade precisa fazer a vacina com urgência. Este ano, estamos vendo uma explosão dos casos de influenza de uma forma mais grave do que em anos anteriores. É essencial que os pais se conscientizem e vacinem imediatamente as crianças. Mesmo aquelas acima dos seis anos também podem apresentar quadros graves e acabar precisando de internação, por isso a vacinação deve ser valorizada”, destaca Marcelo Pavese Porto.
Além da imunização, a SPRS orienta que as famílias reforcem medidas simples e eficazes no dia a dia. Higiene frequente das mãos, etiqueta respiratória, ventilação dos ambientes, uso de máscara por pessoas com sintomas respiratórios, não compartilhamento de copos e talheres e permanência em casa de crianças sintomáticas ajudam a reduzir a circulação de vírus no outono e no inverno.
“Um cuidado muito importante é não levar a criança doente para a escola. Sabemos que isso é difícil e complica a rotina das famílias, mas criança com febre ou sintomas respiratórios não deve ir para creche ou escola infantil, porque pode disseminar o vírus para outras crianças. Além disso, essa mesma criança está com o sistema imunológico mais fragilizado naquele momento e também corre o risco de pegar outro vírus ou bactéria. É uma proteção para os outros e para o próprio filho”, orienta Marcelo Porto..
A entidade também alerta para o cuidado com bebês pequenos, especialmente menores de seis meses, que ainda não podem receber a vacina contra influenza. A recomendação é evitar locais com aglomeração e restringir visitas de pessoas com qualquer sintoma respiratório, mesmo quando o quadro parecer leve.
“Quem está doente não deve visitar criança pequena, recém-nascido ou mães que acabaram de ter bebê. Mesmo que pareça apenas uma rinite, o ideal é não ir”, completa Marcelo Pavese Porto.
A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul destaca que a vacinação segue como uma das principais ferramentas de proteção, sobretudo para crianças dentro da faixa etária indicada e demais grupos prioritários.
Redação: Marcelo Matusiak
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