O segundo dia do XVIII Congresso Gaúcho de Atualização em Pediatria trouxe temas que impactam diretamente a infância e a prática pediátrica. A programação abordou desde os reflexos das enchentes e mudanças climáticas na saúde infantil até vacinação, doenças respiratórias, manejo da dor e prevenção de acidentes.
A programação da manhã iniciou discussões sobre o cenário atual das doenças respiratórias no Brasil. Juarez Cunha e Marcelo Comerlato Scotta discutiram os principais desafios relacionados à circulação de vírus respiratórios.
Impactos dos eventos extremos na infância
Um dos destaques da manhã foi a conferência “Pediatria Ambiental e o Contexto Gaúcho”, conduzida por Mariana Serra, que abordou os impactos das mudanças climáticas, das enchentes e dos eventos extremos sobre crianças e adolescentes no Rio Grande do Sul. A especialista destacou que os efeitos permanecem após o fim da emergência, com queda da cobertura vacinal, aumento de doenças infecciosas, interrupção escolar e consequências sociais e emocionais, especialmente entre crianças em situação de vulnerabilidade.
“Uma enchente não termina quando a água baixa. As consequências seguem”, afirmou.
Na sequência, Fabrizio Motta abordou o aumento de doenças respiratórias, diarreias, arboviroses e leptospirose após desastres. João Carlos Batista Santana tratou dos atrasos diagnósticos e da interrupção do acesso à saúde. Já a neuropediatra Alessandra Pereira alertou para efeitos neurológicos, emocionais e comportamentais provocados pela exposição contínua ao estresse extremo.
“Os eventos extremos não causam apenas traumas físicos. Eles também deixam marcas biológicas e neurológicas no desenvolvimento infantil”, afirmou.
Atualizações em asma, vacinação e urgências pediátricas
Durante o bloco “Direto ao Ponto”, especialistas discutiram atualizações sobre asma e urgências pediátricas, com foco na adaptação de diretrizes internacionais à realidade brasileira e na atualização de protocolos de emergência.
Os pediatras Sérgio Luis Amantéa e Paulo Márcio Condessa Pitrez abordaram mudanças recentes nas recomendações da Global Initiative for Asthma (GINA), especialmente sobre o uso excessivo de broncodilatadores isolados e novas estratégias terapêuticas para pacientes com asma leve e moderada. “Temos de tirar nossos pacientes da sala de emergência. É possível reduzir em mais de 90% as crises graves com manejo adequado”, afirmou Pitrez ao defender protocolos mais atualizados no acompanhamento de crianças e adolescentes asmáticos.
Na sequência, Renata Santos e Marcelo Pavese Porto apresentaram atualizações dos principais guidelines de urgências pediátricas, com foco em condutas objetivas no atendimento de emergência.
A prevenção de doenças imunopreveníveis também ganhou espaço nos simpósios sobre vacinação meningocócica e vírus sincicial respiratório (VSR), que abordaram cobertura vacinal, prevenção de surtos e novas estratégias de imunização.
Integração entre especialidades e novos olhares sobre sintomas pediátricos
A programação da tarde trouxe discussões multidisciplinares sobre doença do eixo cérebro-intestino e medicina aerodigestiva, integrando diferentes especialidades. As especialistas Fernanda Quadros, neuropediatra, e Cristina Targa Ferreira, gastroenterologista pediátrica, discutiram a relação entre sintomas gastrointestinais, desenvolvimento neurológico e fatores emocionais na infância.
“O que antes era chamado de doença funcional hoje é entendido como um distúrbio do eixo cérebro-intestino, com uma comunicação bidirecional entre cérebro, sistema nervoso e trato gastrointestinal”, explicou Cristina.
O talk show “Medicina Aerodigestiva: integração que muda desfechos” abordou a importância da atuação multidisciplinar no cuidado de crianças com alterações respiratórias, distúrbios de deglutição e dificuldades alimentares. A atividade contou com mediação de Caroline Montagner Dias e participação das especialistas Claudia Schweiger, Magali Santos Lumertz, Luiza Nader e Karine da Rosa Pereira, que discutiram casos clínicos frequentes na prática pediátrica envolvendo vias aéreas, trato digestivo superior e alimentação infantil. “A multidisciplinaridade gera melhor entendimento do problema, melhores terapias e qualidade no cuidado do paciente”, destacou Caroline.
Dor pediátrica, prevenção de acidentes e onco-hematologia
O manejo da dor pediátrica também esteve em pauta, com debates sobre sedoanalgesia, atendimento em emergência e dor neonatal. No painel “Não é só choro: desafios no manejo da dor”, especialistas discutiram estratégias para qualificar o atendimento da dor em crianças e recém-nascidos nos serviços de emergência. A atividade foi moderada por Wania Eloisa Ebert Cechin e contou com apresentações de Gabriela Fontanella Biondo, Denise Leite Chaves e Rita de Cássia Silveira.
“A dor repetitiva está associada a alterações estruturais cerebrais já demonstradas em estudos de ressonância funcional, inclusive com piores desfechos no neurodesenvolvimento”, afirmou Rita de Cássia Silveira .
No fim da tarde, especialistas discutiram prevenção de acidentes na infância, abordando situações frequentes como afogamentos, queimaduras, quedas, intoxicações e engasgos, além dos principais erros no atendimento inicial. O talk show reuniu Ana Paula Pereira da Silva, Lucinara Valency Enéas Machado e João Ronaldo Mafalda Krauzer.
O encerramento contou com mesa-redonda sobre onco-hematologia pediátrica, com debates sobre investigação de anemias na infância, emergências onco-hematológicas e acompanhamento de sobreviventes do câncer infantil. Participaram da atividade Virginia Tafas da Nóbrega, Rebeca Ferreira Marques e Jiseh Fagundes Loss.
O XVIII Congresso Gaúcho de Atualização em Pediatria é promovido pela Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul e segue até sábado no Centro de Convenções Barra Shopping Sul, em Porto Alegre.
Redação: Isabel Lermen
Fotos: Isabel Lermen e Olga Ferreira
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