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Soro nasal no inverno exige técnica correta e não substitui avaliação do pediatra


Com a chegada do inverno, aumenta também a preocupação das famílias com gripes, resfriados, congestão nasal e crises respiratórias em crianças. Muito usados em casa, o soro fisiológico, a lavagem nasal e a inalação ainda geram dúvidas sobre frequência, indicação e forma correta de aplicação. A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) alerta que essas práticas podem auxiliar no alívio de sintomas, mas não devem ser vistas como prevenção garantida contra infecções respiratórias.

A lavagem nasal com soro fisiológico pode ajudar principalmente quando a criança apresenta secreção nasal. Segundo a SPRS, ainda não há evidência suficiente para recomendar o uso diário com a finalidade de prevenir gripes e resfriados. A orientação é que o recurso seja utilizado para aliviar sintomas, especialmente em quadros de congestão e coriza.

“A prescrição é para o alívio dos sintomas. Por isso, o soro deve ser usado quando a criança tem secreção, e não como uma medida automática de prevenção”, orienta o otorrinopediatra José Faibes Lubianca Neto, da SPRS.

A forma de aplicação também exige atenção. Em crianças maiores, a partir dos cinco anos, podem ser utilizados dispositivos de maior volume e baixa pressão, como garrafinhas, lotas ou seringas, sempre com cuidado para evitar força excessiva. Já em bebês e crianças pequenas, a recomendação é restringir o uso a conta-gotas ou sprays de soro fisiológico.

Um dos erros mais comuns é aplicar o soro com muita pressão, especialmente com seringas e garrafinhas. Essa prática pode empurrar secreções para regiões próximas ao ouvido e aumentar o risco de otite média. Outro equívoco frequente é insistir em lavagens repetidas até que o soro saia pela outra narina. Conforme a SPRS, isso nem sempre é necessário, especialmente em crianças pequenas.

A entidade também chama atenção para a inalação com soro fisiológico. A prática não deve ser usada de rotina no inverno. Além de não ser indicada como cuidado preventivo regular, há risco de contaminação dos dispositivos, inclusive por fungos, quando o equipamento não é utilizado ou higienizado de forma adequada.

Os pais e responsáveis devem procurar o pediatra quando a criança apresentar dor de ouvido, febre alta, aumento do ritmo respiratório, sinais de falta de ar ou chiado no peito. A avaliação médica também é recomendada quando a secreção nasal amarelada e os sintomas melhoram por volta do quinto ou sexto dia, mas voltam a piorar nos dias seguintes, ou quando a congestão nasal associada ao resfriado ultrapassa dez dias.

A SPRS orienta, ainda, a consulta de materiais gratuitos e completos disponíveis na internet sobre lavagem nasal, com orientações técnicas para crianças e adultos. Entre eles, estão as diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e as diretrizes da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF).


Redação: Marcelo Matusiak
PlayPress Assessoria de Imprensa

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